quinta-feira, 28 de maio de 2009

















OS SERRANOS

Composição: José Claudio Machado

Reculutando a potrada
pôr as varas da mangueira
no bate patas do campo
só ficam vultos e poeira

São gritos de bamo cavalo
toca-toca, era-era

Entre potros que amansei
que sentei meu lombilho
foram baios e ruanos
sebrunos e douradilhos
já quebrei muitos tubianos
alazão, preto, tordilho
de vinagre até o negro
todos pêlos eu encilho
gateados e lobunos
zaino também domei
um rosilito prateado
em malacaras andei

Arrucinei um bragado
um overo negro, um rosado
um chuta branco melado
e um picaço pata branca
que por sinal desconfiado
especial vai o gateado
que nunca deixou-me a pé
um tostado bico branco
tropiei muito em pangaré
um colorado cabano
um azulego mui feio
que, às vezes, em volta do rancho
deixava mascando freio
só me falta um potro mouro
que é pra sentar meus arreios

Uma Boa Quinta-Feira!!! Abraço

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"ARAPUCA"






















Arapuca

Arapuca (arataca ou urupuca) é um artefacto,

de origem indígena no Brasil, que consiste numa armadilha,

feita de paus, com formato piramidal, e destinada a pegar vivos aves,

pequenos mamíferos, ou outros animais de caça

Confecção da estrutura

A estrutura é feita como uma gaiola de paus,

que vão ficando cada vez menores na parte superior,

em geral amarrados com barbante ou arame,

em superposição das camadas em sentidos paralelos.

Armar a arapuca

A expressão, de largo uso no Brasil (tema inclusive de uma música brega),

refere-se à técnica de colocar o disparador da armadilha num local apropriado,

onde o caçador sabe ser a passagem da presa ou seu habitat preferencial,

junto a pequenas iscas (como sementes, pedaços de pão, etc.).

O disparador consiste numa tabuinha que, ao ser pressionada

pelo peso do animal faz com que a vareta que segurava erguida a estrutura caia,

derrubando esta consigo e segurando o animal em seu interior,

até a chegada do caçador.

Quando o animal encontra-se em posição,

o disparador é acionado pelo seu peso,

fazendo cair sobre si a estrutura piramidal,

impedindo-lhe a fuga - em geral o disparador fica oculto

por uma camada de folhas secas e terra, do próprio

local onde está sendo armada,

para não gerar desconfiança da vítima.


Uma Boa Quarta-Feira!!!Abraço

sexta-feira, 22 de maio de 2009

"BATENDO ÁGUA"


Meu poncho emponcha lonjuras batendo água
E as águas que eu trago nele eram pra mim
Asas de noite em meus ombros sobrando casa
Longe "das casa" ombreada a barro e capim

Faz tempo que eu não emalo meu poncho inteiro
Nem abro as asas da noite pra um sol de abril
Faz muitos dias que eu venho bancando o tino
Das quatro patas do zaino pechando o frio

Troca um compasso de orelhas a cada pisada

No mesmo tranco da várzea que se encharcou
Topa nas abas sombreras, que em outros ventos

Guentaram as chuvas de agosto que Deus mandou

Meu zaino garrou da noite o céu escuro
E tudo o que a noite escuta é seu clarim
De patas batendo n'água depois da várzea
Freio e rosetas de esporas no mesmo trim

Falta distância de pago e sobra cavalo
Na mesma ronda de campo que o céu deságua

Que tem um rumo de rancho pras quatro patas

Bota seu mundo na estrada batendo água

Porque se a estrada me cobra, pago seu preço

E desabrigo o caminho pra o meu sustento

Mesmo que o mundo desabe num tempo feio
Sei o que as asas do poncho trazem por dentro

Luis Marenco Composição: Gujo Teixeira

Um Bom Fim de Semana!!! Abraço

quinta-feira, 21 de maio de 2009

"VETERANO"


Está findando meu tempo,
A tarde encerra mais cedo,

Meu mundo ficou pequeno
E eu sou menor do que penso.
O bagual tá mais ligeiro,
O braço fraqueja as vezes
Demoro mais do que quero
Mas alço a perna sem medo.

Encilho o cavalo manso,
mas boto o laço nos tentos,
Se força falta no braço,
Na coragem me sustento.
(Se lembra o tempo de quebra
A vida volta prá traz
Sou bagual que não se entrega,
Assim no mais.)

Nas manhãs de primavera

Quando vou para rodeio,
Sou menino de alma leve
Voando sobre o pelego.
Cavalo do meu potreiro
Mete a cabeça no freio.

Encilho no parapeito,

Mas não ato nem maneio.

Se desencilha o pelego
Cai o banco onde me sento,

Água quente de erva buena,
para matear em silêncio.

Neste fogo onde me aquento,
Remôo as coisas que penso,

Repasso o que tenho feito,
Para ver o que mereço.

Quando chegar meu inverno,

Que me vem branqueando o cerro,
Vai me encontrar venta-aberta

De coração estreleiro.
Mui carregado dos sonhos,
Que habitam o meu peito

E que irão morar comigo
No meu novo paradeiro.

Leopoldo Rassier

Composição: Antônio Augusto e Ewerton Ferreira


Uma Boa Quinta-Feira!!! Abraço

terça-feira, 19 de maio de 2009

"CARREIRA DE CANCHA RETA"


A carreira foi o esporte e o jogo de preferência do homem do pampa.

Fazia parte tanto de negócios que envolviam grandes somas de dinheiro como das brincadeiras telúricas.

Os ginetes, em pleno campo, se desafiavam. Muitas vezes, no retorno das campeiradas, tiravam cismas de quem possuía o cavalo mais rápido. Todavia, no geral, "atavam" carreiras para datas específicas, geralmente aos domingos.

Nos primeiros tempos, as carreiras eram disputadas com os cavalos de trabalho, os CRIOULOS. Esses eqüinos, de origem ibérica possuíam grande predominância de sangue árabe. Com o passar dos séculos, foram apurados e terminaram se definindo como raça específica do Cone Sul e muito valorizada nas atividades de pastoreio.

Os carreiristas sempre preferiam a "cancha reta", de metragem não muito longa. O percurso podia ser de 260 a 400 metros. Com o hábito das carreiras e invariavelmente com o volume de dinheiro envolvido no jogo, a atividade também se transformou em negócio. A paixão de muitos homens pelas carreiras provocou a perda de grandes fortunas: rebanhos e até estâncias. Conta-se que os gaúchos chegavam a apostar as próprias mulheres.

Participar com certa garantia de sucesso significava preparar apropriadamente os cavalos. Dessa forma, apareceram duas especialidades vinculadas às carreiras: a do compositor e a do jóquei.

Carreiras!...Meninos e moços velhos,
Não perdem tal festa, não perdem carreiras!
E a par das apostas pequenas ou grandes,
Apostam-se olhadas às moças faceiras.

(Bernardo Taveira Júnior, Provincinos, 1886)


Carreira de cavalo. Cancha reta. 1820.
Detalhe da aquarela de Emeric Essex Vidal.

Até hoje, no pampa, chama-se o treinador de cavalo de "compositor". Eles definiam os alimentos e os exercícios básicos dos animais. Alimentavam-nos com milho e alfafa fenada. Aplicavam-lhes banhos. Treinavam arrancadas e corridas para deixá-los fortes e velozes.

Os animais destinados às carreiras passaram a ser chamados também de parelheiros porque eram comuns as disputas feitas entre dois animais, em parelhas. Quando corriam em maior número, chamavam a carreira de "penca", ou califórnia. Ir às pencas, no Sul, significava, ainda, ir até onde ocorriam as carreiras.


Passeio de domingo, 1865
Detalhe de óleo sobre tela de León Palliere.

Nos dias de "carreira atada", os CRIOULOS chegavam cabrestrados, cobertos de lindas capas, no geral, coloridas. Todavia, fazia parte da picardia dos jogadores "enfeiarem" os cavalos, sujando-os, desfigurando-lhes os rabos, dando-lhes certo visual de pangarés, para que os adversários não percebessem seus reais valores.

Nas carreiradas, os habitantes da região tomavam conta dos dois lados da cancha. E, ali, passavam o dia. Os bolicheiros armavam ramadas para vender bebidas e comidas. Assava-se churrascos. Aproveitava-se para rever conhecidos, saber das notícias e, nesse ambiente de jogo e convívio social, os jovens aproveitavam para os namoros.

De preferência, as canchas eram trilhadas nas várzeas, com árvores para a sombra e lenha para o fogo, e com um rio ou um arroio correndo perto.

Além das carreiras contratadas com antecedência, os donos de parelheiros se desafiavam em plena cancha. Costumeiramente, alguém quando acreditava na imbatividade de seu cavalo, fazia-o desfilar, gritando: "Sem reserva!", isto é, na linguagem carteirista ele estava disposto a correr contra qualquer animal naquele momento, e a aposta não tinha limite.

As regras não eram muitas. Geralmente, tinham-se maiores cuidados na arrancada. Como a "pista" era curta, o que melhor arrancasse poderia levar vantagem. Os "juízes da partida" utilizavam um laço ou uma bandeira para dar a largada. No final da cancha, ficavam os "juízes da chegada". Um cavalo podia vencer por um pequeno detalhe: "de orelha".

As vantagens eram classificadas conforme a parte do corpo do ganhador ao passar pela baliza de chegada antes do perdedor. Assim, "ganhar de fiador" significava vencer pela diferença da cabeça, pois o "fiador" é a parte do buçal que passa atrás das orelhas e na conjunção com o pescoço. As outras medidas consagradas até hoje são: "de paleta", "de meio corpo", "de virilha". Ganhar "de luz" significava passar à frente do perdedor, sem que este cobrisse qualquer parte do vencedor.

Esses parâmetros ainda hoje são adotados em regiões da campanha.

As carreiras, as apostas eram depositadas em mãos de pessoas respeitáveis ou diretamente feitas em "campo aberto". Nesse casos os apostadores botavam o dinheiro no chão, e o vencedor juntava.

O povo também se divertia nessas festas. O público se alegrava com carreiras de petiços, animais lerdos, burros empacadores e manhosos.

Só no final do século XIX é que a corrida européia, de raias em círculo, foi adotada no Rio Grande do Sul. E, assim mesmo, apenas nas cidades.

Na campanha - e em muitos hipódromos especializados na modalidade - permaneceram as carreiras de cancha reta.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

'PALETEADA"


Consiste em 2 cavaleiros arremessarem seu cavalo contra uma rês, impedindo-a de correr, quando isto acontece um dos cavaleiros atira-se do cavalo, derruba o animal (gado) e procura imobiliza-lo maneando suas patas, muitas vezes para marcação ou castração.

"PALETEADA"


Vem se escor
ando no freio
se enforcando na peiteira
e quase que se debruça

No grito de upa e se foi

Meu gateado "frente aberta"
"Brazino"nas quatro patas

Dever
eda se desata
E se acolhera com o boi

Num mouro marca de "H"
O "Junico" me faz costado

E o osco canela fina

Se para cheio de assombro,
Meu gateado vem por cima
E mouro não frouxa um tento
e o osco espragueija o vento
quando lhe cuspo no lombo.

Grito a grito, peito a peito;

"Repontemo" até o rodeio

Este matreio teimoso
Que refugou na picada,
De à cavalo eu não refugo

Embora o tempo desabe
E o mais matreiro ja sabe
Que me gusta a paleteada.


Paleteada é lida bruta
Nascida nas "escaramuças"
Quando se apartavam tropas
Em "Machaços" atropelos
A encontro e bico de bota
Tirava o boi do refugo
Que reboleava o sabugo

Na direção do sinuelo.

César Oliveira & Rogério Melo

Um Bom Fim de Semana!!! Abraço

quinta-feira, 14 de maio de 2009

"HINO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL"


Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Composição: Letra: Francisco Pinto da Fontoura

Música de: Joaquim José de Mendanha

Esse é o Hino meu estado!!!Uma Boa Quinta-Feira

Abraço