sábado, 8 de maio de 2010

"O NEGRINHO DO PASTOREIO"


O NEGRINHO DO PASTOREIO
No tempo da escravidão havia um estancieiro (fazendeiro) muito rico, que criava bois e cavalos. Era muito mau e gostava apenas de seu filho, também maldoso, e de um cavalo baio, muito veloz. Entre seus escravos havia um menino muito obediente e trabalhador, a quem ninguém havia se dado o trabalho de dar um nome, sendo chamado de Negrinho. Montava muito bem, e era encarregado de pastorear os cavalos. O estancieiro foi, um dia, desafiado para uma corrida de cavalos por um vizinho. O escolhido obviamente foi o baio, que seria montado pelo Negrinho. Os dois cavalos eram excelentes corredores mas, no dia da corrida, sabendo que corria por sua vida, o Negrinho conseguiu impor uma certa vantagem. Quase ao término da corrida, com o baio na frente, este se assusta e empina, perdendo a corrida. Ao voltarem à fazenda, o estancieiro disse ao Negrinho que este passaria trinta dias e trinta noites pastoreando o cavalo baio e outros trinta cavalos, mas, antes de deixá-lo ir, chicoteou-o até se cansar. O pequeno escravo, louco de dor, levou os cavalos para o pastoreio e amarrou o baio. Não agüentando de dor e cansaço, adormeceu. Algumas corujas que voejavam em torno assustaram os cavalos, que fugiram. O Negrinho acordou, mas devido à cerração (neblina) não conseguiu encontrá-los. O filho do estancieiro, que gostava de maltratar o menino, viu tudo e foi contar a seu pai. O Negrinho foi novamente chicoteado sem piedade, e lhe foi ordenado que voltasse para procurar os cavalos. Voltou para o pastoreio, mancando e sangrando, levando um toco de vela. Cada pingo de cera que caía, transformava-se numa luz tão brilhante, que logo tudo ficou tão iluminado que parecia dia, tornando-se fácil reunir os cavalos. De madrugada, o filho do estancieiro, que ainda não estava satisfeito com suas maldades, soltou e espantou o cavalo baio, indo contar a seu pai que o Negrinho tinha adormecido novamente e deixado os cavalos escapar. O estancieiro deu-lhe a terceira surra de chicote, até deixar o menino como morto. Mandou jogá-lo sobre um formigueiro, para não ter que mandar enterrá-lo. O corpinho foi imediatamente atacado pelas formigas, para regozijo do filho do estancieiro. Na manhã seguinte, quando o estancieiro voltou ao formigueiro, levou um imenso susto!! O menino estava de pé, todo risonho, perto do cavalo baio e dos outros trinta cavalos. Enquanto o estancieiro olhava, o Negrinho montou no baio e partiu acompanhado dos outros cavalos, em uma nuvem de poeira dourada, e dizem que muitos já o viram passar dessa maneira.... Ele some apenas três dias por ano, para visitar o formigueiro, pois as formigas tornaram-se suas amigas. Até hoje, quando se perde alguma coisa, basta chamar pelo Negrinho do Pastoreio, que ele consegue encontrar....

sexta-feira, 19 de março de 2010

"PECADO E PAIXÃO"

Viro a mesa e mudo o jogo

Faço o coração calar


Mas meu corpo silencia

Quando te vejo passar

Diante aos olhos teus

Eu não consigo mais lutar

É pecado, é loucura

Mas eu quero te amar



Loucura e desejo

Pecado e paixão


Não tem mais jeito

Vou roubar o seu coração

Loucura e desejo

Pecado e paixão

Eu e você

Cara-a-cara com a paixão



Eu te pego no meu colo

E te levo ao paraíso

Faço dengo e te consolo

Pois perdemos o juízo

Já não sei mais o que faço

Se sou santo ou pecador

Se enfrento cara-a-cara

Ou se fujo desse amor

"TCHÊ GAROTOS"

domingo, 21 de fevereiro de 2010

" MEU MEDO"


Meu Medo

Passei a noite pensando
Pitando e tomando trago

Nesta vida de índio vago

Tenho sofrido demais


No meu jeitão queixo duro
O lombo marcado da lida
Mudo o meu jeito de vida
Por teu amor volto atrás

Sem os carinhos da china

Tenho sofrido demais

A solidão irmã gêmea da saudade

Na tua ausência apertava meu peito


Mudou meu jeito de ser
Se for paixão eu não quero padecer

Morre um amor muito cedo
Por meu medo de sofrer.

"GRUPO RODEIO"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

"FOI VOCÊ QUEM TROUXE"


Novo sucesso do Grupo Tchê Bagual em
Breve mais sucesso...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"ALMA GAUDÉRIA"



















Dos tempos que já passaram
Das andanças que eu fazia,
Vivi horas de alegria
Que nunca vou esquecer.
E não é fácil descrever
Os lugares que passai,
Mas de todos lembrarei
Até a hora de morrer.

E talvez após a morte
Fim desta viagem gaudéria,
Minha alma sem matéria
Percorra todo o rincão.
Não vou ser assombração
`'ra não assustar ninguém,
Só quero cuidar, do além
As coisas da tradição.

Quero reencarnar sem maldade
Na mente de um trovador,
Para mostrar o valor
Do poeta não letrado
E fazer verso rimado
Ao som da gaita e violão,
P'ra mostrar que a tradição
Não morre no meu estado.

Assim esta minha alma
Viverá sempre contente,
Bebendo água em vertente
Nas cacimbas lá de fora
E quando romper a Aurora,
Quero andar na invernada
Cantando e dando risada
No tilintar de uma espora.

Quero lá de vez em quando
N'algum fandango chegar.
Ver todo mundo dançar
Com luz fraca de lampião,
E uma gaita de botão
Num xote velho largado
Desses que é sempre tocado
Em surungos de galpão.

Se no final do surungo
Alguém se desentender,
Aí é que quero ver
A destreza do peão
Pois para não ir ao chão
Tem que ser mui destemido,
Quero até ser o tinido
Da folha de algum facão.

Mas não quero ver jamais
Alguém correndo com medo,
Pois aí está o segredo
Da velha raça caudilha,
Eu quero ser a presilha
De um laço bem trançado
Quero ver ser conservado
Os ideais farroupilhas.

Se o bom velho permitir
Que eu reencarne em outro corpo,
Quero servir de conforto
P'ra alguma china manheira,
E voltar lá na mangueira
P'ra montar potro sem freio
Enfim, estar num rodeio
Ou festa de domingueira.

Assim minha alma xucra
Estará sempre presente,
Nas coisas da nossa gente
Guardadas com devoção
E quando por este chão
Surgir algo diferente,
Eu quero surgir na frente
Repontando a tradição.

Um abraço aos amigos...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

"GRITOS DE LIBERDADE"












Minuano tironeando a venta dos tauras
Relincho de baguais faíscas ao vento
O brado terrunho do punho farrapo
Num bate cascos medonho ao relento


Peleando em favor da pampa a pilcha sovada em tiras
Marcando fronteira provou lealdade
Livrando os trastes da campa na ventania rusguenta
Pranchando adaga a gritos de liberdade
Vento, cavalo, peão (marca de cascos no chão),
Fronteiras em marcação (nosso ideal meu rincão)

Em noites em que o minuano assusta os cavalos
Escuto o tropel dos centauros posteiros
Almas charruas cavalgam coxilhas
Guardando as fronteiras do sul brasileiro


Peleando em favor da pampa a pilcha sovada em tiras
Marcando fronteira provou lealdade
Livrando os trastes da campa na ventania rusguenta
Pranchando adaga a gritos de liberdade
Vento, cavalo, peão marca de cascos no chão
Fronteiras em marcação, nosso ideal meu rincão

UMA BOA SEMANA A TODOS AMIGOS!!! ABRAÇÃO

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"À Cavalo Na Sorte"








Os Monarcas

Composição: João Pantaleão G. Leite

É na doma que se apega a fúria com a valentia
o domador não tem trégua enquanto égua der cria
quem monta deve saber que a doma não tem retovo
se cair pode morrer, se viver monta de novo.

Ando a cavalo na sorte, sem norte sem adereço
Não negocio com a morte, porque a vida não tem preço
Eu sei que um dia me vou, mais ainda é muito cedo
Tenho potros prá domar, na província de São Pedro

(Gineteando talvez morra na desforra de amansá-los
Minha vida é uma gangorra no lombo desses cavalos
Minha vida é uma gangorra no lombo desses cavalos)

Lá nos vamos campo afora corcoveando ao Deus dará
Quanto mais lhe cravo a espora mais corcovia o bicho dá
Beija o céu cutuca o chão que sobe e desce danado
É triste a vida do peão no lombo dum aporreado

No lançante morro abaixo a morte me pisca o olho
É aí que um índio macho coloca a barba de molho
Aposto tudo na sorte nesta disputa renhida
O diabo amadrinha o morte mas Deus me protege a vida

Um Bom Dia!!!Abraço