quinta-feira, 25 de junho de 2009

"CAMPESINO"


Eu nunca afrouxei a perna
pra potro que corcoveia
me criei montando em pêlo
surrando só nas orelhas
e quando o matilho roda
é que a coisa fica feia
sou ligeirito, no mas
sou destes que não se enleia.

Numa parte de mangueira
tanto a pé como a cavalo
na saída de algum brete
sempre botei meu pealo
e quando a prosa é demais
que eu ouço muito e me calo
me deito em altas da noite
me acordo ao cantar do galo.


Quando faço um alambrado
que espicho bem o arame
se escapa o esticador
o tombo é que é mais infame
se danço mal no fandango
não me importa que reclame
em namoro de cozinha
só me paro no baldrame.

Se me meto na carpeta
pra jogar, não jogo pouco
se for preciso até brigo

mas não entrego o meu troco

o jogo é coisa do diabo
e eu sou burro quando empata
já levantei de uma mesa
com dez cartas na guaiaca.

Meu serviço é coisa bruta
que não serve pra doutor
nem pra estes da gola fina
metido à conquistador
vivo lavorando à boi
pisando no meu suor
levantando alguma vaca
no fundo de um corredor.

Fui criado meio xucro
um pobre peão de estância

meio curtido de estrada
de tanto encurtar distância
respeitando minha estampa

no amor pela querência
sou feito de pau à pique
com o Rio Grande na consciência

Uma Boa Quinta-feira a todos amigos(a)
Abraço

2 comentários:

DILERMArtins disse...

Mas bah, Bagual.
Linda poesia campeira!
Parabéns!

Sergio disse...

Vlw pelo cometario!!!Estou seguindo as suas dicas colocando letras campeiras e poesias gauchas.Bom Fim De semana